Prevenção, clínica e cirurgias de Glaucoma

 

 

Dr. José Guilherme Pereira Fonseca - Oftalmologia Clínica e Cirúrgica, Sub-especialidade em Glaucoma. 

 

glaucomaO que é glaucoma?

É uma doença que leva a perda progressiva das fibras nervosas responsáveis pela transmissão do estímulo visual ao cérebro. Há dano progressivo do nervo óptico.

O glaucoma dói?

Nem sempre. O glaucoma crônico (mais comum) é em geral indolor, o que o torna mais perigoso e traiçoeiro. No glaucoma agudo (crise de glaucoma) há dor intensa.

O glaucoma é a pressão alta do olho?

Em geral, essa afirmação é verdadeira, mas há pessoas que apresentam pressão intra-ocular normal e cursam com as lesões típicas do glaucoma. Por outro lado, há pessoas com pressão intra-ocular acima do considerado normal, mas que não apresentam glaucoma.

O glaucoma pode causar cegueira?

Sim, se não for diagnosticado e tratado em estágios iniciais levará a uma perda visual progressiva.

Como prevenir? 

Visite seu oftalmologista, que fará a análise do seu fundo de olho, pressão intra-ocular e campo visual, fatores fundamentais para diagnosticar e prevenir a doença.  

A cegueira no glaucoma é reversível?

 

Não, pois ela ocorre pela lesão de fibras nervosas que são progressivamente danificadas pela doença.

 

Os colírios para o glaucoma devem ser usados continuamente?

 

Sim, como toda doença crônica, deverá ser controlado continuamente com medicação.

 

Os colírios do glaucoma são para baixar a pressão intra-ocular?

 

Sim. Apesar de vários estudos comprovarem que há outros fatores que influenciam no glaucoma, ainda é a pressão intra-ocular o único fator que pode ser controlado com medicação.

 

Quando o paciente opera de glaucoma a pressão intra-ocular fica normal?

 

O objetivo da cirurgia é esse. Há pacientes que não conseguem atingir com colírios a pressão intra-ocular ideal para o controle da progressão da doença. Esses pacientes são submetidos à cirurgia. Entretanto, alguns pacientes mesmo depois de operados precisam manter um ou mais colírios. Alguns podem até mesmo necessitar de outra cirurgia.

 

Após a cirurgia de glaucoma a visão melhora?

 

Não. A cirurgia tem objetivo de controlar a pressão intra-ocular para evitar a progressão da doença e conseqüente aumento da perda visual.

Portanto, a cirurgia é feita para estabilizar o quadro, evitando a piora. Mas infelizmente não proporciona recuperação da visão já perdida.

 

Quem tem familiares com glaucoma tem maior chance de ter a doença?

 

Sim. As estatísticas mostram que um paciente com história familiar de glaucoma apresenta maior probabilidade de desenvolver a doença. Porém não significa que obrigatoriamente será glaucomatoso, apenas tem uma probabilidade maior que a média da população.

 

O glaucoma é contagioso?

 

Não, o glaucoma não se relaciona com infecções de microorganismos. Não é doença contagiosa.

 

O glaucoma atinge pessoas de que sexo e faixa etária?

 

O glaucoma não apresenta prevalência maior ou menor no que se refere ao sexo.

Com relação à idade, a freqüência é progressivamente maior a partir dos 35 anos. Há, entretanto, tipos de glaucomas que atingem o paciente na infância ou mesmo ao nascer.

 

O paciente com glaucoma pode nadar, ir a praia, tomar sol, usar computador, enfim, ter uma vida normal?

 

Sim, pode ter uma vida normal desde que não haja excessos. O importante é ter bom senso e seguir as orientações do oftalmologista.

 

Qual é a pressão intra-ocular normal e como é medida?

 

A pressão intra-ocular é medida através de aparelhos chamados tonômetros. O mais comum é o tonômetro de aplanação de Goldmann, que se encontra nos consultórios de oftalmologia. A medição é feita em milímetros de mercúrio (mmHg)  e a média considerada normal  varia entre 10 e 20 mmHg. Mas os conceitos mais recentes consideram essa pressão "normal" variável de paciente para paciente. Por exemplo, uma pressão de 18 mmHg pode ser satisfatória para um paciente e perigosa para outro.

 

Mensagem adicional:

 

A prevenção e a orientação são as maiores armas contra o glaucoma. Como a doença é pobre em sintomas, é fundamental que o paciente entenda a importância da visita periódica ao oftalmologista. Essa visita não pode se restringir a "trocar os óculos". Quem o estará atendendo é um profissional médico que deverá estar capacitado a diagnosticar as várias doenças oculares em estágios iniciais. Com isso, é possível evitar a progressão das doenças e salvar muitos olhos.

Também é importante se manter informado, perguntar e esclarecer as dúvidas com o oftalmologista. Acho fundamental recuperar a relação médico-paciente que anda abalada. O paciente deve ter no médico um aliado, um profissional que compartilha do mesmo objetivo: A saúde do paciente.