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Testes com idosos mostram que visão pode ser protegida por vitaminas

Estudo reforça a tese de que a suplementação evita o avanço da degeneração macular relacionada à idade

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Espécie de borrão de tinta ou uma nuvem escura que impede a pessoa de enxergar em linha reta. Esse é um dos principais incômodos causados pela degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que acomete principalmente pessoas com mais de 60 anos. A doença, assintomática, não tem cura, e compromete atividades básicas da visão, impedindo o idoso de ler, assistir à televisão e praticar atividades físicas recomendadas para a idade, como a caminhada. Mas é possível retardar o desenvolvimento da doença por meio de uma dieta antioxidante rica em vitaminas. Já foi comprovado cientificamente que algumas substâncias presentes em alimentos inibem a ação dos radicais livres e impedem o envelhecimento das células. Mas, para barrar o avanço da DMRI, não basta incluir nas refeições os alimentos com os nutrientes. Especialistas recomendam a ingestão de suplementos vitamínicos, que são encontrados em forma de comprimidos e somente devem ser ingeridos com recomendação médica.

 

 

Para avaliar a real eficácia do complexo de vitaminas comumente indicado contra a DMRI, que é composto por vitamina C e E, betacaroteno e zinco, pesquisadores do National Eye Institute (NEI), dos Estados Unidos, estudaram, durante cinco anos, os efeitos dessas substâncias na visão. Participaram do estudo, cujos resultados foram publicados no Jornal da Associação Médica Americana (Jama), 4.203 pessoas  com idade de 50 a 85 anos e alto risco para a progressão da DMRI. Os voluntários foram divididos em quatro grupos, que receberam diferentes combinações orais de suplementos.

 

Em 2001, os pesquisadores do NEI já haviam relatado que o suplemento com vitamina C e E, betacaroteno e zinco reduzia o risco de DMRI avançada em cerca de 25% dos pacientes em cinco anos. Em 2006, deram início a uma nova etapa do estudo, com o intuito de avaliar se a adição de ômega 3, carotenoide luteína e antioxidante zeaxantina poderia tornar o suplemento alimentar mais eficaz na redução dos riscos de DMRI avançada e ou catarata. Os resultados foram apresentados agora e comprovam avanços na melhora visual com a adição da luteína e da zeaxantina, presentes principalmente em vegetais em tom verde-escuro - espinafre, couve-flor, ervilha e brócolis, por exemplo - e em frutas amarelo-alaranjadas, como nectarina, laranja, mamão e pêssego.

 

Segundo a líder da pesquisa, Emily Chew, saber a quantidade necessária de compostos vitamínicos e os que devem ser usados no suplemento alimentar é um marco contra a progressão da doença. "A DMRI é a principal causa de cegueira na terceira idade e o esperado é que o número de pessoas prejudicadas com a baixa acuidade visual possa dobrar nos próximos 20 anos", afirma. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o problema afeta entre 25 e 30 milhões de pessoas em todo o mundo.

 

Prevenção

Presidente do Centro Brasileiro da Visão, Marcos Ávila explica que, no Brasil, o diagnóstico da DMRI é crescente. "Como estamos vivendo mais, surgem os problemas de saúde relacionados à idade, como a DMRI, que afeta sobremaneira a visão", diz. O especialista explica que, pelo fato de os sintomas iniciais serem geralmente imperceptíveis, a visita ao médico acontece no momento em que a doença está avançada. "Normalmente, quando chegam ao consultório, os pacientes já estão praticamente sem a visão de um dos olhos."

 

A estimativa é de que de 10% a 15% da população idosa brasileira tenha a degeneração macular relacionada à idade (DMRI). E a maioria dessas pessoas nem sequer conhece a doença. Um levantamento feito em abril pela Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV) com 4.030 pessoas em Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília indicou que 79% delas não sabem o que é a DMRI. O presidente do Centro Brasileiro da Visão, Marcos Ávila, explica que pode haver predisposição genética para a doença, mas, no geral, ela afeta mais as pessoas de pele clara.

 

"Indivíduos com excesso de peso, fumantes, pessoas com o colesterol elevado e hipertensos devem ficar atentos com relação ao desenvolvimento da doença. Vale lembrar que o uso de óculos escuros é de extrema importância, uma vez que os raios ultravioletas são nocivos aos olhos", diz o retinólogo.

 

 

Fonte: uai.com.br